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Platonismo
Não existe satisfação maior para mim do que estar do seu lado cada vez que você desperta. Você não imagina como é bom ver você se virando para me fitar com seus profundos olhos verdes. Eu também ouço a música que vem de algum lugar atrás de mim, enquanto você se aproxima e gentilmente me aperta para aproveitar mais alguns minutos de sono. Este momento em que estamos tão próximos é como um sonho. Seus cabelos negros cobrindo seu rosto, os restos de sua
maquiagem da noite anterior (a festa foi boa, não?), a suave brisa da sua respiração.
Passados esses minutos (que para mim são sempre tão curtos), você lança mais uma vez aquele olhar profundo e se levanta, sem dizer uma só palavra, às vezes com um sorriso no rosto, me deixando por lá, para apenas te acompanhar de longe enquanto você entra no banho e percorre todo o mesmo ritual diário. Seus pertences estão aqui do meu lado, e sinto o suave contato com sua pele para que você os alcance. Você pega seu relógio, seus brincos e seu batom. Eu nunca entendi porque só o batom do meu lado, mas isso não é realmente importante.
E você vai embora.
O dia passa lento, arrastado sem você por perto. O quarto fica tão grande sem você aqui... Até que finalmente você retorna, quase sempre quieta. Tem o tempo de comer alguma coisa rapidamente e se deitar novamente, ao meu lado. Você mal tem tempo de encostar-se e vejo que já está dormindo profundamente. Quando você vai aceitar o outro emprego? Você ainda vai morrer de tanto trabalhar...
E assim os dias passam. Eu gosto de rotina, acho que você sabe disso. Só não gosto realmente, e nessas ocasiões fico muito magoado, quando durante a noite ficamos sem energia elétrica e ao acordar você me lança um olhar de desprezo e anuncia para quem quiser ouvir:
- Merda de despertador! Tenho que trocar as pilhas.
Tiago do Prado Barizon
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