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Conto
A sala está completamente vazia. Apenas eu. E uma cadeira, na qual eu me encontro sentado. Não, jogado é o melhor termo. E uma janela. Uma janela ordinária, dessas bem baratinhas, com duas partes de vidro basculantes e duas partes de madeira que se abrem empurrando a escuridão pra fora. Pelo menos se for de dia.
Tem um sol se pondo também. Ele não está exatamente na sala, mas é como se estivesse. Eu estou de frente para ele. Eu acho que ele sabe que eu estou aqui, encarando-o, porque em uma tarde abafada, sem brisa nenhuma, como a que está fazendo, não encontro outra explicação para a rajada de vento que bateu, fechando as duas partes de madeira, trancando a escuridão de novo dentro da sala.
Eu posso me levantar, abrir a janela novamente, voltar para me largar na cadeira e assistir o sol se pondo.
Se eu não fizer isso em cinco minutos vai ser tarde. Vai ter passado, um dos crepúsculos mais bonitos que eu já vi. Vai ser passado. Não terá existido. Estará para sempre perdido nas memórias que não existem, será um reflexo imaginativo da minha mente. Eu poderei até colocar um bando de pássaros passando, porque não fará diferença. Não será o crepúsculo que existiu. Se existiu. Porque nem isso eu saberei.
E perdido nessas divagações cinco minutos se passaram, a janela continua fechada, eu continuo sentado e a vida, a vida corre lá fora, por que do sol, da janela e de mim ela não depende.
Tiago do Prado Barizon
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