| 31/05/2004 - Labo, Mugomango, Tchucbandionis, Elza Soares, Abimonistas, JumboElektro, Morphine, Rollins Band, Kingsman
Como é boa a confirmação de que a cena musical independente está sempre pronta para nos surpreender. E nesse caso eu devo um agradecimento muito especial ao Luis Fernando, meu grande amigo nesses últimos VINTE ANOS (clap, clap, clap - onomatopéia de tapinhas nas costas).
Esses últimos dias não foram particularmente muito felizes, mas ele conseguiu me arrancar de casa no sábado e me levar até a festa de dois anos da Reco-Head, selo independete de uns amigos meus que já lançou álbuns de bandas como Labo, Mugomango, Tchucbandionis e a grande Elza Soares.
Festa boa, gente bonita, DJs mandando um som bom, mas o melhor de tudo foram sem dúvida alguma os shows. Dois artistas da casa se apresentaram, os Abimonistas e o JumboElektro. E que shows.... Até agora eu ainda tô com vontade de sair pulando ouvindo os sons deles. Muita energia, muita atitude, qualidade sonora, tudo que uma banda precisa ter no palco.
Os Abimonistas fazem um som inqualificável. Os cinco responsáveis pela sonoridade da banda são Ângelo Kanaãn (bateria), Bruno Torturra Nogueira (vocais), Felipe Nelson Crocco (guitarra / baixo), Guilherme Garbato (teclados / saxofone) e Guto Miranda (baixo / guitarra). Lá fiquei sabendo que o Bruno é sobrinho-neto do Nélson Rodrigues, e que a veia literária ele herdou do tio-avô. Pena que o som no sábado não estava bom o suficiente para ouvir as letras, mas pelo que consta são impagaveis.
O que dizer do som? Nas primeiras duas ou três músicas eu já gostei por lembrar um pouco de Morphine se eles resolvessem fazer uma jam com a Rollins Band. Som pesado e melodioso, alternando com momentos incrivelmente calmos. Mas logo em seguida o guitarrista e o baixista trocam de postos para mostrar que as coisas não são tão simples assim... Os Abimonistas mostram que sabem tocar com a mesmo qualidade sons setentistas psicodélicos, sons swingados e com uma batida grooveada que fariam muita banda de funk se sentir no jardim de infância, uma música com cara de anos sessenta, alguma coisa de punk... enfim, em um ambiente em que cada vez mais está difícil rotular uma banda, os Abimonistas não fogem a regra. Mas com muito estilo.
O primeiro álbum da banda, Só o Abimonismo Salva, já está à venda, distribuído pela Trattore.
Depois de uma pequena pausa eis que estão eles no palco. O JumboElektro faz um show que eu confesso que pode não agradar todo mundo. A influência do synthpop dos anos 80 é explícita. O som pode ser classificado como electro, mas é muito bem produzido, nada simplório, arranjos bem feitos e sem muito esbanjo de tecnologia e sem sintetizadores fazendo todo o trabalho. Ao contrário, da banda eu já conhecia o baterista e o baixista de outros shows, e eles seguram a onda com responsabilidade. Talvez isso seja o motivo da banda ter tanta energia no palco. A mistura de sintetizadores com as guitarras, baixo e bateria dão uma cara mais rock'n'roll para a banda.
Os integrantes da banda atendem pelos curioso nomes de Dimas Turbo, Frito Sampler, General Elektrik, Dr. Gory, Hans Sakamura, Lê Cheval e Otto Van der Vander. Além das duas guitarras, baixo, bateria, sintetizador e teclados, o vocalista ainda consegue a proeza de tocar extintor de incêndio, Genius e Arthur. Sim, Genius e Arthur, os brinquedos. As letras são todas cantadas no mais escrachado embromation, em inglês e em francês. Fantástico. Pena que o grupo ainda não tenha nenhum trabalho lançado. Aguardamos para breve. Nesse meio tempo visitem a página da banda e ouçam "Freak Cat", o "hit" da banda. É só deixar a página carregar.
Para fechar a noite ainda rolou uma jam com os integrantes das duas bandas tocando "Louie, Louie" do Kingsman.
Que noite. Acompanhem as agendas das bandas e assistam pelo menos um show. Vale a pena.
Yeah! Rock'n'roll!
Tiago do Prado Barizon
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