| 06/11/2003 - King Crimson, Peter Gabriel, Alice Cooper, Al di Meola, Eumir Deodato, Yes, David Bowie, Eros Ramazzotti, Kenny Loggins, Earthworks, Ozric Tentacles, Van der Graf Generator, Pink Floyd
De novo está tarde e não sei por que cargas d´água lembrei de um cd que não é sucesso atual, mas eu voltei a ouvir com mais carinho recentemente. Talvez justamente por eu ter voltado a ouvir com mais carinho recentemente.
Eu tô falando do álbum Discipline, do King Crimson.
Esse álbum é um marco na carreira da banda pois sinaliza seu retorno após um longo intervalo que durou de 1974 até 1981. A formação do King Crimson neste álbum é:
Robert Fripp (guitarra) - Fundador da banda, nos idos de 1969. Curiosamente, o estilo dele foi muito copiado pelo Augusto Licks, aquele guitarrista do Engenheiros do Hawaii que tava sempre de camisa branca fechada até o colarinho. Mas só nisso o cara se compara, porque o Fripp é um gênio na guitarra. Vale ouvir o cd só para conhecer o que ele faz...
Adrian Belew (guitarra e voz) - Esse é outro figura da onda progressiva. Suas letras foram um dos pontos que mais chamou a atenção para que fosse convidado para o King Crimson.
Tony Levin (Baixo e segunda voz) - Depois e mesmo durante sua participação no King Crimson, Levin acompanhou e gravou com artistas como Peter Gabriel, Alice Cooper, Al di Meola, Yes, Deodato, Eros Ramazzotti, David Bowie e até mesmo com Kenny Loggins (sim, o cara que gravou o tema de Footloose). Ele ficou famoso por usar um tibo de baixo que ele desenhou e apelidou de snakebone, com 10 cordas. Se um dia eu achar alguma foto eu me lembro de colocar aqui...
Bill Bruford (bateria) - Ex-baterista do Yes, sua carreira solo com a banda de jazz experimental Earthworks também vale a pena uma audição.
Um ponto curioso deste álbum é que no princípio ele não seria mais um lançamento do King Crimson. No início das gravações a idéia era de lançar usando o nome de Discipline também para a banda, mas durante o processo resolveram adotar o nome de King Crimson e manter o nome apenas do álbum, mesmo que a sonoridade não se pareça em nada com o antigo King Crimson. Esta formação se mantem até hoje.
A paisagem sonora que esses quatro conseguem não é comparável com nada que eu conheça, nem mesmo com as viagens do pessoal do Ozric Tentacles ou do Van der Graff Generator. São sete músicas lindas, que misturam coisas mais puxadas para o progressivo que conhecemos como o Rush (caso da música 4, "Indiscipline") até viagens calmas e tranquilas como os sons mais sossegados do Pink Floyd ("Matte Kudasai", faixa 3).
E em todas eu percebo como cada um dos quatro tem seu brilho próprio, mas que não chega a ofuscar os outros membros da banda. O conjunto sempre acaba por falar mais alto.
Como eles mesmo falam no encarte, "discipline is never an end in itself, only a means to an end".
Tiago do Prado Barizon
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